Os ministros das Relações Exteriores dos países do G7 afirmaram, nesta terça-feira (23), que “condenam com firmeza” a violência dos militares contra os protestos em Mianmar. Eles pediram, em declaração conjunta, que “se respeitem os direitos humanos e o direito internacional”.

“Qualquer um que responda a protestos pacíficos com violência deve prestar contas”, disseram os diplomatas do G7 em nota.

“Usar munição letal contra pessoas desarmadas é inaceitável”, afirmaram os representantes do grupo com as maiores potências econômicas do mundo, formado por CanadáFrançaAlemanhaItáliaJapãoReino Unido e Estados Unidos.

“Condenamos a intimidação e a opressão daqueles que se opõem ao golpe”, segue o documento do G7. “Manifestamos nossa preocupação com a repressão da liberdade de expressão, incluindo o corte da internet e mudanças na lei que reprime a liberdade de expressão.”

Manifestantes pedem libertação de Aung San Suu Kyi, maior líder política de Mianmar, durante protesto em Mandalay nesta segunda-feira (15) — Foto: AP Photo
Manifestantes pedem libertação de Aung San Suu Kyi, maior líder política de Mianmar, durante protesto em Mandalay nesta segunda-feira (15) — Foto: AP Photo

O grupo dos países ricos pede o fim do “ataque sistemático” contra manifestantes, médicos, a sociedade civil e jornalistas – e a revogação do estado de emergência decretado no país asiático.

Nos últimos dias, houve uma escalada na repressão para tentar conter os atos. O governo proibiu concentrações, mobilizou veículos blindados, e efetuou prisões noturnas contra opositores.

Alegando fraude eleitoral, uma junta militar tomou o poder em 1º de fevereiro, após prender a cúpula do governo e a maior liderança política de Mianmar, Aung San Suu Kyi.

Protestos vêm se espalhando pelo país. Os manifestantes costumam carregar cartazes com mensagens incentivando atos de desobediência civil.

A repressão a um protesto contra o golpe militar em Mianmar deixou ao menos dois mortos neste sábado (20), informou o serviço birmanês de emergências. Na sexta, uma jovem morreu depois de ser alvejada por tiros de metralhadora em uma manifestação.

Os militares que deram o golpe de Estado em Mianmar estão sob forte pressão – nacional e internacional. Isso depois dos crescentes protestos da população e do anúncio de novas sanções contra os generais por parte dos Estados Unidos e da União Europeia (UE).

 

Centenas de detidos

O regime militar tem continuado a prender aliados de Aung e manifestantes, para tentar desmobilizar as manifestações contra o regime imposto no início do mês.

A Associação de Ajuda a Presos Políticos (AAPP), com sede em Yangon, relatou mais de 640 prisões desde o golpe militar.

Aung, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 75 anos, não é vista desde sua prisão domiciliar. Formalmente, ela está sendo acusada por motivos não políticos, como a importação ilegal de walkie-talkies e de ter violado “a lei sobre a gestão de catástrofes naturais”.

A previsão é que a líder birmanesa compareça à Justiça em 1º de março.

 

Fonte: G1.com
Foto: Reuters