Com o crescimento da população na Região Metropolitana de Belém (RMB), hoje com aproximadamente 2,5 milhões de habitantes, também aumentou a necessidade de atender a demanda por deslocamento diário para o centro da capital. Como mais da metade dessa população é usuária do transporte público e enfrenta dificuldades na prestação do serviço pela falta de mobilidade urbana na região, foi necessário o estudo para a implementação de um sistema que atendesse a demanda com eficiência.

Hoje, o projeto de infraestrutura e mobilidade escolhido é o que já está sendo executado desde o início de 2019 pelo governo do Pará, por meio do Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano (NGTM), o BRT Metropolitano, que ocupará os primeiros 10.8 km da BR-316 dentro do projeto de requalificação da via. Atualmente, o projeto é uma das principais obras de mobilidade urbana do Estado nos últimos 8 anos e que só saiu do papel no ano passado, com a atual administração pública.

O sistema que será implementado interligará com mais rapidez e dará mais conforto a quem precisa se deslocar entre Belém, Ananindeua e Marituba. Para o economista Gilberto Ferreira, de 38 anos, morador no bairro de Ananindeua, próximo ao viaduto do Coqueiro, por exemplo, a obra pode mudar a realidade do trânsito na região. “Nós que moramos e precisamos passar pela BR, sentimos muitas dificuldades porque o trânsito é muito engarrafado, principalmente em horários de ‘pico’. Essa obra faz com que a gente tenha esperança que isso vá melhorar, pois essa área que é de vital importância para a capital, é a grande entrada de Belém”, comenta.

ESTUDOS

Os primeiros estudos na RMB começaram a ser elaborados ainda na década de 1990, por meio de acordos de cooperação técnica entre o governo do Estado e a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). Na época, foi elaborado o primeiro plano de transporte para RMB. Já em 2000, uma atualização foi feita visando a implantação do sistema integrado. Três anos depois, um novo estudo de viabilidade foi projetado, mas somente em 2010, foi atualizado. A partir disso, foi elaborada a carta consulta para empréstimo internacional junto à Jica, visando a implantação desse sistema. Atualmente, a Agência financia 78% das obras da Nova BR.

Ainda de acordo com levantamento feito pela Jica, em 2014, cerca de 370 mil passageiros se deslocam por ônibus da RMB para o centro da capital. De lá pra cá, houve aumento que gira em torno de 2%. A pesquisa realizada em campo se deu por conta da contratação da consultoria para atualização da base de dados que possibilitou a elaboração do projeto operacional do BRT Metropolitano.

INTERVENÇÃO

A nova reurbanização na BR afeta a infraestrutura e outros aspectos, como recuperação da pavimentação asfáltica, além da faixa exclusiva para o BRT, implantação de nova arborização, ciclovia, calçada e passarelas. “Trabalhamos em toda a infraestrutura viária da BR e na rede de transporte público, principalmente porque afeta as regiões periféricas onde a população é carente dessa malha”, afirma Eduardo Ribeiro, diretor-geral do NGTM.

 

 

Fonte: O Liberal
Foto: O Liberal